Autobiografia

 

 

 

Autobiografia de Diogo Lopes Cardoso

  Cascais - Inverno 2005

 Nunca pensei que aos 16 anos tivesse que elaborar a minha autobiografia. Sinto até que isto seria um pouco narcisista (se não fizesse parte de um projecto escolar deste ano), porque acho que a minha vida não tem muito de diferente de tantos outros jovens da minha idade.

Segundo me dizem os meus pais, no dia 12 de Dezembro de 1990 estava tanto frio que eu nem “queria” sair da barriga da minha mãe e tiveram de lhe provocar o parto. Nasci às 15:44, no Hospital Particular de Lisboa.

 

“Memórias” Contadas

 

Contam-me os meus pais e os meus irmãos que eu era um bebé esperto, muito dorminhoco e calmo (por muito estranho que isso pareça!) e praticamente não dava trabalho, pois desde que tivesse uma almofada e um biberão com leite não precisavam de me fazer muito mais para ficar satisfeito. Resumindo, era um bebé bem-disposto e que se podia levar para todo o lado sem fazer “birras” (modéstia à parte!).

 

 Primeiras Memórias

 

Quando fiz dois anos (eu não me lembro mas contaram-me) que os meus pais se divorciaram. Mudámos de Benfica para o Saldanha, onde residi 10 anos com a minha mãe. A partir desse momento, passei a ter duas casas: uma onde vivia a maior parte do tempo (com a minha mãe) e outra onde viviam o meu pai com a minha madrasta e os meus irmãos (onde também passava muitos dias).

Citei este episódio porque, apesar de não me lembrar, é a partir de aqui que começam as minhas memórias na vida quotidiana em casa do meu pai e da minha mãe. Lembro-me que ao princípio a minha adaptação à nova vida do meu pai foi difícil porque não conseguia compreender porque é que os meus pais viviam em casas separadas. Mas como o meu pai esteve sempre bastante presente na minha vida, essa incompreensão deu lugar a uma vida estável e a um óptimo ambiente familiar, proporcionado pelos meus pais, que são os melhores amigos do mundo.

Isto contribuiu muito para a minha formação como pessoa, e para tentar sempre que haja equilíbrio e  harmonia no ambiente familiar.

Desta minha fase de infância guardo memórias de tempos muito felizes, como as brincadeiras com os meus irmãos, passeios aos fins-de-semana e férias com o meu pai e com a minha madrasta, os serões em casa dos meus avós, muitas brincadeiras nos baloiços com os amigos, enfim anos (mais ou menos até aos 4/5) em que vivi sempre num mundo despreocupado e alegre, na ingenuidade da infância.

 

Início da vida escolar

 

Aos cinco anos entrei para o primeiro ano, momento muito especial para mim. Lembro-me do dia em que a minha mãe me levou ao colégio pela primeira vez e fiquei a chorar quando ela se foi embora,  talvez por insegurança. Foi o início de um ciclo que só acaba daqui a dois anos (espero eu), mas que do qual, penso, terei muitas saudades. . .

A minha vida escolar foi um bocadinho atribulada ao princípio porque acabei por mudar para o “Lar Educativo João de Deus” onde fiz o primeiro ciclo. Recordo com saudade estes tempos felizes de muita brincadeira com os amigos e de vivências muito engraçadas. Este colégio tinha um ambiente muito familiar, que guardo com carinho na memória porque sempre fui lá muito feliz quer a nível de laços afectivos com os amigos, professores, etc. como também no que se refere aos resultados escolares que sempre foram muito bons, não permitindo a minha mãe que fosse de outra maneira. Concluí o 4° ano com bons resultados e fiquei nos primeiros lugares de admissão ao “Colégio do Sagrado Coração de Maria” (colégio escolhido pelos meus pais), onde pensei que seria feliz; muito pelo contrário, foi aqui que começaram os problemas.

 

 Pré-adolescência

 

Neste novo colégio tive imensos problemas, não só a nível de comportamento, mas também a nível de resultados. Nunca me consegui habituar ao colégio mas também penso que nunca me esforcei por isso, e a atitude de “anarquia” que tive perante inúmeras regras, normas e regulamentos do colégio ao fim de 3 anos teve consequências (como ter que repetir o 7° ano) porque se seguiu a um período extraordinariamente complicado em que me encontrava “perdido” (após a morte da minha avó, da minha gata, o animal de estimação que me acompanhou desde que nasci e que era praticamente “da família”, e coincidiu também com o princípio da entrada na adolescência (que é sempre complicada), com o afastamento do meu pai para residir no Alentejo e também com a altura em que a minha mãe refez a vida com o meu padrasto. Isso implicou a habituação a uma nova família, novas pessoas, inclusive o filho do meu padrasto com quem a princípio não me dei nada bem (causando bastantes problemas à minha mãe e ao meu padrasto).

Se a adolescência é já um período complicado, então com inúmeros problemas acrescidos, é de uma pessoa endoidecer! Eu sei que não tem graça ter reprovado mas guardo memória de alguns disparates que ficam para contar aos netos (se tiver), como por exemplo quando numa das missas de turma semanais escondemos o pote que contém as hóstias para o padre não poder dar a missa e ficámos sem missa semanal (com uma “pena imensa”, claro!).

A minha atitude rebelde custou-me um ano, o que não teve assim tanta piada, mas serviu de exemplo para começar a perceber que não podia fazer tudo aquilo que queria e que devia aprender a respeitar a autoridade e as regras (é verdade que, às vezes, ainda acho difícil...)

 

 

Adolescência

 

Este período da minha vida tem sido muito positivo até ao momento porque após perder o ano e os problemas todos que me assolaram nessa altura, mudei de escola (e comecei a ser seguido por uma psicóloga), para a “Escola Básica 2, 3 Patrício Prazeres”, uma escola de miúdos problemáticos (tanto a  nível de comportamento, como a nível de ambientes familiares desestruturados economicamente e não só) mas que me ajudou muito a formar a minha personalidade e a crescer muito como pessoa, a tornar-me uma pessoa mais solidária, já que me deparava todos os dias com realidades que infelizmente são quotidianas para muitos miúdos (como por ex. miúdos que não tinham comida em casa e que viviam em “barracas”), coisas que só quem passa por isso é que sabe como é. O percurso nesta escola a princípio não foi muito pacífico mas a partir de meio do meu 8° ano comecei a melhorar bastante tornando-me mais responsável e arranjando menos “dores de cabeça” à minha mãe.

 

Penso que passei por algumas fases um bocado complicadas tanto a nível familiar como a nível escolar mas tenho vindo sempre a tentar melhorar e noto que tem havido uma progressão enorme desde a pré-adolescência até agora. Não faz sentido nenhum termos problemas por nos recusarmos a mudar, devemos sempre tentar mudar o que está mal.

Tenho uns pais que me adoram, e me proporcionam tudo o que há-de bom, como por exemplo ter uma casa e uma vida estável, apesar de termos  problemas de vez em quando, como toda a gente.

O facto de vivermos sem dificuldades já é razão mais do que suficiente para eu aprender a não pensar só em mim, mas também em quem faz tudo para me ver feliz e que mais sofre quando algo acontece, como é o caso dos meus pais e da minha família, que sempre me acompanharam e estiveram ao meu lado em todos os momentos bons e maus da minha vida.

 

Bodyboard - Guincho 2006Ibiza - Verão 2006              

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Barragem de Castelo do Bode - Verão 2006

Ibiza - Verão 2006